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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Que filho você vai deixar pro mundo?

6 comentários

(Um post com alta probabilidade de ser um cuspe bem grande pro alto)



A gente vive se perguntando qual o mundo que queremos deixar para os nossos filhos. Mas já parou pra pensar no filho que você vai deixar para o mundo?

Minha filha tem apenas 9 meses e uns dias e já tá começando a colocar as manguinhas de fora. Basta dizer NÃO pra ela, que ela grita, resmunga, fica brava e não esconde de ninguém que detesta ser contrariada. O nome disso é birra? Pode ser, mas tá valendo, sinal que ela já sabe (pode não acatar sempre, mas sabe) que não pode fazer tudo, que há limites e que nós temos autoridade.

Aí você pensa: mas ela é só um bebê! É mesmo, por isso que às vezes fico me controlando pra não rir, não correr até ela e dar uma mordida na bochecha quando ela fica bravinha depois de receber um não. Mas eu acredito que, desde já, ela tem que aprender a respeitar os limites que nós achamos necessário impor a ela.

Como boa observadora que sou (ou tento ser), sinto arrepios quando vejo uma criança mal criada, no sentido literário da palavra mesmo. Porque criança mimada, que faz tudo o que quer e que derruba o mundo quando é impedida, pra mim é uma criança mal criada, mal educada pelos pais ou com algum transtorno psiquiátrico, sei lá.

Não que as crianças não possam ter um ataque de birra vez ou outra, sem que a mãe ou o pai, sem saber o que fazer pra contê-la, cedam às suas vontades. Isso pode ser uma solução muito prática em algumas ocasiões. Estou falando daquelas crianças que tem idade pra saber, em maior ou menor grau, o que é certo e o que não é, mas que por negligência dos pais, não se importam com nada além da sua própria vontade.

Pra mim, as crianças mal criadas de hoje, serão os jovens inconsequentes ou violentos de amanhã e os adultos idiotas e desprezíveis de depois de amanhã. Eu não quero criar um monstro! Não mesmo!

Por isso que não dá pra ser displicente, não dá pra fingir que não vê o seu filho desrespeitando os outros e nem dá pra deixar pra impor limites amanhã. Até porque acostumar seu filho desde pequeno a ser educado pode ser mais trabalhoso, mas é mais eficaz do que amarrá-lo ao pé da cama radicalizar quando ele tiver 15 anos. Vai ser muito mais tranquilo pra você e pra ele, provavelmente.

Tenho visto adolescentes e jovens com comportamentos cada vez mais preocupantes e, porque não dizer, assustadores. Eles gritam, ofendem, agridem verbal e fisicamente aos outros e ninguém parece saber o que fazer pra conter essa onde de violência.

Cenas assim sempre me chamaram a atenção, mas depois que eu me tornei mãe, elas me fazem pensar no seguinte: eu não posso deixar minha filha se tornar uma pessoa assim. A filha que eu quero deixar pro mundo é alguém que se solidariza com a dor do outro ao invés de tirar sarro dela, alguém que se preocupa com as pessoas ao seu redor, que é cortês, voluntária, que procura ser justa com os outros e com ela mesma, que sabe a diferença entre ambição e passar por cima de qualquer um pra conseguir o que quer. E muitas coisas mais.

E isso começa agora. Ou vai dizer que não?

*Daqui uns tempos eu conto como estou me saindo na missão de bem-educar-um-filho. E daqui uns 15 anos eu volto pra dizer se deu certo ou não. Espero que dê!

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